“O homem hoje que não acompanha a evolução da mulher; vive de machismo, inocência e de passado”.
Recentemente estava num bar, e conversava com um amigo sobre a atividade sexual das pré-adolescentes de hoje. Foi quando uma mulher, aparentando 40 anos, entrou no assunto e desabafou:
“As meninas de hoje não estão nem ai, estão transando com qualquer um. Meu filho de 10 anos que estudava no turno da manha num colégio rotariano em Mesquita, na Baixada Fluminense, Estado do Rio, foi ao banheiro em horário de aula e chegando lá, deparou com uma menina de aproximadamente 12 anos fazendo sexo oral com um menino pouco mais da sua idade. Chegou em casa comentou, fui direto a diretora do colégio reclamar. Fiquei surpresa quando ela respondeu que isso hoje era normal. De imediato providenciei a transferência do meu filho para outro colégio mas próximo a minha casa; o antigo professor Anselmo. Não demorou muito, meu filho outra vez, encontrou no banheiro uma menina aparentemente de 13 anos transando com outro de idade semelhante. O garoto ficou psicologicamente chocado, e a única saída foi explicar a ele algumas coisas sobre o assunto, do meu jeito”.
Algumas escolas públicas municipais na Baixada Fluminense, no Estado do Rio, pretendiam implantar nos currículos escolares, no final da década de 90, a matéria sobre Educação Sexual. Mas me parece que não foi muito adiante conforme o relato acima, de uma mãe.
Na época, embora fosse um grande avanço, contudo, ainda hoje a Baixada é um lugar extremamente conservador, no que diz respeito a tal assunto entre pais e filhos. Os filhos podem até ter sua vida sexual ativa lá fora, embora sem qualquer conhecimento ou orientação dos pais, principalmente se for mulher.
Mas quem iria, ou quem hoje esta explicando sobre sexo nas escolas? Aquele profissional que teve toda uma vida sexual reprimida pelos pais e, certamente age igual com seus filhos? Ou aquele que saiba dar informações, sem rodeios, de acordo com a curiosidade dos pré e adolescentes?
Dizer em sala de aula que ninguém poderá fazer nada disso quando sair daqui, é hipocrisia. Caso contrário, parte da mídia esta ai para qualquer desinformação, como alguns programas de televisão, revistas, sites e vídeos eróticos especializados no assunto, sem contar as conversas entre amigos, as quais nada ensinam e só estimulam de forma errada.
A educação sexual evitaria, no futuro, casos de mulheres que casaram virgens no passado, hoje com netos, mas que nunca chegaram a um orgasmo, embora seus maridos atuassem na rua, em sua maioria, como garanhões, mas que em casa deixava a desejar: Ou mulheres que tiveram experiências sexuais com diferentes parceiros e nunca encontraram o orgasmo.
Portanto, o homem não esta em nenhuma vantagem. A ignorância sobre o sexo é de ambas as partes, tanto antes como nos dias atuais.
Podemos atribuir esse comportamento reprimido a igreja Católica que, com sua sabedoria castradora, ainda ensina que o papel da mulher é casar virgem, ter filhos e ser deposito de sêmen para satisfação de seu marido.
Todavia, outras religiões não ficam atrás com suas doutrinas repressoras. Poucos são os homens e mulheres que conhecem seu próprio corpo. Toca-se é passar a se conhecer melhor, e descobrir o que lhe dá maior prazer. Não se pode estabelecer limite para o inicio da atividade sexual, nem tão pouco de que forma deve ser feito. Só é importante que seja observado a maturidade sexual e psicológica do individuo, para que não existam sequelas. Entre quatro paredes, tudo é permitido. Não existem fronteiras, desde que com o parceiro certo, para que no dia seguinte seja respeitado como ser humano.
Muitas mulheres desconhecem a sensação do orgasmo, quer seja por masturbação clitoriana ou penetração. O orgasmo é um aprendizado. O homem chega mais rápido e a mulher demora muito mais tempo. Ambos devem ser educados para conhecer e saber como se comporta o seu próprio corpo e do seu oposto.
Logo, orgasmo, clitóris, masturbação, ponto “G”, e outras formas, tem que ser falados sem tabu, sem mentira e sem medo. O ideal seria que as aulas de educação sexual nas escolas públicas fossem dadas a pais e alunos, como se fossem um debate. De outra maneira existirá resistência a tal matéria, e problemas com os pais e professores, com possíveis processos por assedio sexual, já que existe uma lei em vigor abordando o assunto.
Mas, me parece que a educação sexual nas escolas já foi para outros caminhos, e em certos estabelecimentos de ensinos, seus diretores ou professores decidiram erradamente e resolveram liberar sem ensinar e deixar rolar livremente nos banheiros escolares virando uns verdadeiros motéis.
Obs: Artigo publicado em novembro de 1997, no jornal O Imparcial, com o pseudônimo de Rudolf Hardman, e atualizado.
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